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O que aprendi no meu pior dia como mãe

Eu escrevo pelo menos dois textos por dia sobre maternidade. Em muitos, eu conto detalhes da minha vida pessoal com minha filha Catarina. Oportunidades não faltaram para que eu falasse sobre a história que conto aqui hoje - mas a verdade é que levei três anos para ter a coragem de colocar em palavras o dia mais difícil de minha vida. E em breve vocês entenderão o porquê.

Ser mãe e pai não é fácil: a rotina diária é cansativa, mas talvez esse seja o menor dos desafios que a maternidade/paternidade impõe. Difícil é saber educar, é colocar limites, é saber que um dia o filho ganhará asas e voará. Entretanto, ainda mais duro é descobrir que você não pode livrar um filho de todos os males do mundo.
Quando minha pequena tinha 1 ano e 5 meses de vida, ela ficou doente. Tudo começou com os sintomas de um simples resfriado - o nariz escorrendo, o catarro, a tosse. Acreditei que seria apenas mais um episódio de noites mal dormidas para ela e, consequentemente, para mim. Até que aquela sexta-feira 13, antevéspera do Dia das Mães, mostrou que eu não tinha qualquer controle do que estava por vir.
Pela manhã, mediquei minha filha, fiz uma inalação para aumentar seu conforto respiratório e saí para trabalhar, deixando-a com um anjo que Deus colocou em minha vida - minha ajudante, que trabalha em minha casa há nove anos.
Na época eu trabalhava a cinco minutos de casa, por isso não tive qualquer conflito em deixá-la: Catarina estava medicada, com uma pessoa incrível (que me ensinou muitas das coisas que sei sobre cuidados com crianças - afinal, ela mesma já tinha duas filhas crescidas) e parecia bem. Até que no início da tarde meu celular tocou e tive a notícia de que a pequena respirava com muita dificuldade. Saí correndo para casa e, chegando lá, vi que a situação era mesmo crítica.
Sem analisar a situação direito, eu coloquei Catarina no carro e dirigi até o consultório do pediatra. Lá, vi um dos melhores penumologistas pediátricos do país preocupado - seria necessária uma internação por bronquiolite. Foi assim que minha filha passou três dias na UTI, com monitoramento 24 horas por dia de seus sinais vitais.
Nas duas primeiras noites eu praticamente não dormi, com os olhos grudados no aparelho que media seu grau de oxigenação. Aliás, ela passou todo esse tempo em meu colo (eu saía apenas para ir ao banheiro e tomar um banho).
Felizmente, assim como bebês pioram rapidamente, eles também melhoram em poucos dias. Catarina ficou boa, fomos para casa, mas algumas marcas desse episódio ficaram gravadas para sempre em meu coração. E alguns aprendizados eu levarei comigo - porque eles são úteis, nos momentos ruins, mas também nos bons da vida de uma mãe:
  • Um filho vem em primeiro lugar - SEMPRE! Não importa se seu chefe vira a cara quando você diz que precisa sair para atendê-lo ou se você tem um problema profissional que parece urgente - estar lá quando seu filho precisa é o mínimo que você pode fazer por ele.
  • Com crianças, não subestime o perigo. Basta um segundo para seu filho virar uma panela com água quente e se queimar, para quebrar um braço, para ter uma crise de falta de ar que o deixa sem oxigênio. Fique sempre alerta e, ao menor sinal de perigo, aja!
  • Cerque-se de pessoas competentes. Se minha filha não tivesse ficado sob os cuidados de uma pessoa que soube reconhecer que ela não estava bem (e com bebês isso nem sempre é tão óbvio), se não tivesse recebido um primeiro atendimento de qualidade, seu estado médico teria sido ainda mais alarmante. Esse é um aprendizado importante também quando tudo está em paz - porque, muitas vezes, é prevenindo que você não passa pelos momentos críticos.
  • Creia que tudo vai melhorar - pois, por vezes, a única coisa que resta é acreditar. Há momentos na vida em que você não vê a luz no fim do túnel; nessas horas, a esperança pode promover milagres (nem que seja dando ânimo para as pessoas ao seu redor, que darão o melhor de si para que o problema se resolva). 

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