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Pai espetacular

Luis Ernesto Lacombe escolheu uma profissão que sacrifica os fins de semana em família: a de jornalista. A solução é aproveitar ao máximo o tempo junto com os filhos e até levá-los para o trabalho!

Por Luis Ernesto Lacombe, pai de Pedro e Bruno, jornalista e apresentador do programa Esporte Espetacular

Meu pai não esteve comigo em minha infância, muitas vezes. Não que ele não se importasse. Tínhamos os nossos momentos, nos estádios de futebol, na praia, nos almoços de sábado. Claro, era menos do que eu gostaria... Mas era o possível para ele, entendi com o tempo.

Meu pai foi um administrador de empresas sempre atarefado, professor da Fundação Getúlio Vargas, do tipo que saía de casa de manhã e voltava sempre depois das nove da noite. Viajava muito também, às vezes, viagens longas. Ele morreu cedo, aos 49 anos, em 1988. Exatamente 10 anos depois, nasceu Pedro, meu primeiro filho. Aí, veio o Bruno, meu caçula. E tudo o que eu sempre quis foi estar perto dos dois.


De cara, sofri muito. Não foi fácil, um peso enorme na consciência... Pudera, bem antes de ser pai, tinha me tornado jornalista, um profissional que costuma sacrificar a vida pessoal, familiar, por causa do trabalho.


Quando Pedro nasceu, eu era repórter do -Bom Dia, Rio-, da Rede Globo. Tinha que acordar às quatro da manhã, para estar na emissora às cinco. Era impossível ficar acordando com o chorinho dele, a cada duas horas, e estar com a cara boa e a cabeça organizada no primeiro telejornal da manhã; tive que dormir, durante alguns meses, sozinho no quarto de hóspedes.


Quando passei a apresentar o -Esporte Espetacular-, em 2004, os fins de semana de folga, que já não eram muitos, se tornaram raríssimos. Meus filhos demoraram a se acostumar com a ideia de que não podíamos mais viajar a qualquer hora: -Todos os nossos amigos viajam na sexta e só voltam no domingo... Por que a gente não pode?-.


Quase sete anos se passaram desde que meus filhos me fizeram essa pergunta, e acho que os meninos demoraram menos tempo do que eu para entender que o que importa não é quanto tempo os pais passam com os filhos, mas se pais e filhos se aproximam, verdadeiramente, estando juntos, ou até mesmo separados.


Amo a minha profissão, que não respeita fins de semana, feriados, dias santos. O que fazemos? Sábado, às vezes, os meninos (ou um deles) vão comigo para a emissora, acompanham o fechamento do -Esporte Espetacular-, assistem às reportagens, dão opinião. As viagens, de sexta a sábado, são compensadas nas férias... Se tenho que viajar a trabalho, trago muitas fotos, trago filmes e histórias para dividir com eles. Há sempre um momento nosso, cinema, muito cinema, praia, almoços, jantares, a piscina em casa, a TV, "Drake & Josh", "iCarly".


Quando Pedro e Bruno eram menores, íamos muito ao zoológico. Eles adoravam! Então, pensei em mais um jeito de estar perto deles: escrevi um livro de poemas, dez sonetos sobre bichos. O livro demorou sete anos para ser publicado. Foi lançado só no fim de 2010, com belíssimas ilustrações da Ana Terra. Pedro e Bruno compreenderam a demora. Mesmo estando já crescidinhos, eles adoraram o livro, também gostaram da dedicatória feita a eles, das ilustrações, de tudo. Foi muito especial.


Aliás, leitura antes de dormir é um momento especial para viver com os filhos. Depois, quando chega a hora de apagar a luz, tem sempre uma conversa franca, dúvidas, papo de pai e filho, quase papo de amigo. Aí, vem o beijo de boa-noite, que vai iluminar o dia seguinte e, se necessário, muitos outros.

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